Os robôs no caminho da industrialização

Um caminho sem volta. Essa é a realidade apontada por representantes e especialistas de indústrias que investem na automação. O processo que permite agilidade na produção e redução de custos para as empresas através da virtualização - é uma tendência.

A indústria 4.0 possibilita que uma fábrica tenha acesso fácil às suas atividades produtivas a partir de smartphones e softwares. Com isso, é possível que ela trabalhe 24 horas por dia. De acordo com o coordenador da Faculdade de Tecnologia do Senai/PE, Júlio Lopes, a 4ª revolução industrial é capaz de levar mais competitividade. “A automação é uma ação irreversível. As empresas que não investirem vão ficar ultrapassadas. Ela é capaz de promover agilidade nos processos, diminuir custos e gerar confiabilidade”, explica Lopes, ao complementar que para se tornar uma indústria 4.0, a empresa precisa ter um nível de automação completo, desde o processo fabril ao gerenciamento.

Um sistema intensivo que permite, justamente, essa agilidade na produção foi implantado por uma empresa especializada em pré-formas, tubos que depois de soprados são transformados em garrafas pet. A Frompet, localizada em Suape, investiu no processo de tecnologia de automação a partir de robôs que realizam atividades na produção. A expansão nos últimos cinco anos permitiu que a empresa se destacasse para a consolidação de uma indústria 4.0. E assim está se caminhando.

Na última semana, a Frompet conquistou o certificado ISO 22000, com o reconhecimento formal da fabricação de produtos de alimentação. Pela fábrica, oito robôs do tipo LGV (veículo guiado a laser) circulam exercendo o trabalho de, por exemplo, carregar caixas cheias de pré-formas, sem a necessidade de interferência humana. Para se consolidar nesse sistema automatizado, a Frompet ganhou o reconhecimento em seu Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos.

“O certificado ISSO 22000 significa que estamos aptos para utilizar a pré-forma em qualquer tipo de alimento, como refrigerante, sucos, óleos de cozinha. É uma excelência máxima de uso”, explicou o CEO da Frompet, Marcelo Guerra. Fundada em setembro de 2001, a empresa se automatizou em fevereiro de 2017.

“A automação elimina falha humana e permite facilidades. O nosso cliente pode checar o estoque pelo sistema e fazer o pedido pela própria plataforma”, explicou Guerra, ao complementar que são 358 clientes, entre eles a Ambev e a Heineken.

Sistema sofisticado da Frompet permite agilidade na produção de garragas

Sistema sofisticado da Frompet permite agilidade na produção de garrafas - Crédito: Ed Machado/Folha de Pernambuco

 

Capacitação das equipes
Muito se fala que a implantação da automação através de robôs pode gerar a demissão dos funcionários nas indústrias. Entretanto, as empresas estão buscando o caminho inverso: complementar a mão-de-obra qualificada e a atuação de equipamentos. As fábricas não estão buscando a substituição da força de trabalho, mas sim capacitar os colaboradores para que seja possível gerar um trabalho mais eficiente e seguro.

Segundo o coordenador do Senai/PE, a automação gera mão-de-obra mais especializada. “Tem indústrias que acabam demitindo, mas a maioria das empresas fazem com que os funcionários sejam realocados em outros processos depois de capacitações”, explicou Lopes, ao complementar que a utilização de robôs é capaz de gerar retorno positivo para a empresa. “É importante a fábrica entender que essas máquinas fazem trabalhos repetitivos feitos por humanos, então elas previnem acidentes e riscos de saúde para o funcionário que realizava sempre a mesma atividade intensa”, disse. É o que está fazendo a Frompet, ao oferecer cursos de capacitação. “Mostramos que a automação não é demissão. Um funcionário que realizava trabalhos físicos fortes, hoje ele está em outra área”, afirmou Guerra, ao informar que a Frompet possui 111 colaboradores. Já a área mais automatizada da Jeep, em Goiana, é a funilaria, que realiza a montagem da carroceria dos veículos, ressaltou o gerente da área, Mateus Marchioro.

Ao todo, a fábrica conta com 823 robôs, sendo 607 na funilaria. “É possível ter um controle maior nos processos para garantir a qualidade do produto”, registrou Marchioro, ao acrescentar que a produção é feita nos três turnos.Na opinião do gerente da Jeep, para fazer a automação funcionar, é preciso pessoas. “Na funilaria, por exemplo, há uma área de treinamento onde estão instaladas todas as tecnologias. É uma linha de produção para capacitar funcionários”, disse Marchioro.